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sexta-feira, 22 de julho de 2016

1992


INAUGURAÇÃO DA ESTÁTUA DE EUSÉBIO



É uma daquelas coincidências: o símbolo que eterniza Eusébio à porta do Estádio da Luz, a célebre estátua em bronze que imortaliza o instante de um remate do antigo internacional português, foi inaugurada em 1992, também num fim-de-semana em que o Benfica goleou o Gil Vicente por 5-0, tal como sucedeu no sábado.

Neste domingo, e seguramente durante os próximos dias, a estátua que foi descerrada há quase 22 anos, no dia 25 de Janeiro, data do aniversário de Eusébio, será o palco privilegiado de todas as homenagens ao avançado que inscreveu o seu nome na lista dos melhores futebolistas de sempre.





De entre as variadíssimas acções de tributo de que foi alvo ao longo da vida (desde uma banda desenhada ao baptismo de um avião da TAP com o seu nome, passando pela criação do troféu Eusébio Cup), a estátua instalada na Praça Centenário será o exemplo mais visível.

O monumento nasceu de uma iniciativa de Vítor Baptista, emigrante nos Estados Unidos da América (EUA) e adepto do clube, com o objectivo de honrar a memória de uma referência nacional. “Naquele tempo [décadas de 1960 e 1970], era a única nota positiva que nos dava orgulho de sermos portugueses, dando-nos muitas alegrias através das vitórias que conseguia para Portugal no estrangeiro”, referiu, na altura.





O projecto ainda mereceu oposição de alguns antigos dirigentes do Benfica, mas a direcção do clube, então presidida por João Santos, decidiu avançar com a obra, que tem o traço do escultor norte-americano Daker Bower e foi oferecida por Vítor Baptista.

Nos EUA, de resto, mais concretamente em Foxborough, perto de Boston, é possível encontrar uma réplica da estátua erigida à frente do Estádio da Luz. Está implantada nas imediações do Estádio Gillette, que sucedeu a um recinto onde o avançado chegou a jogar no final da carreira. Um monumento que foi inaugurado por Luís Filipe Vieira e pelo próprio Eusébio.






A MORTE DE FEHER


UMA NOITE DE TRISTEZA







Uma época marcada pelo regresso aos títulos. O Benfica vence a Taça de Portugal contra o Campeão Europeu e volta a levantar um troféu 8 anos depois. A tristeza também se abateu sobre o clube. A morte de Miklos Féher em pleno relvaldo, no dia 25 de Janeiro de 2004, quando se disputavam os últimos segundos do jogo em Guimarães, despertou uma onda de solidariedade que uniu o país futebolístico e fez correr muitas lágrimas por todos os adeptos benfiquistas. Na nossa memória ficará para sempre o sorriso que trazia consigo antes de cair inanimado. Féher será o eterno nº 29 do Glorioso. Jamais algum jogador do Benfica voltará a usar esse numero nas costas.
Segundo o relatório médico, a arritmia cardíaca deveu-se a uma cardiomiopatia hipertrófica.




O ULTIMO SORRISO








FOTOS DO VELÓRIO E FUNERAL































ATÉ SEMPRE CAMPEÃO






terça-feira, 21 de junho de 2016

INAUGURAÇÃO DO 3º ANEL




5 de outubro de 1960, há 56 anos. Cumpria-se um sonho de décadas dos adeptos e do clube encarnado. Era inaugurado o terceiro anel do Estádio da Luz que quase duplicou a lotação do recinto, se tornou numa espécie de entidade mística, e acabou por ser um amuleto para uma campanha de glória.

As obras começaram a 25 de Agosto de 1958 e para comemorar o feito o Benfica organizou um festival de futebol. O presidente Vieira de Brito iniciou as festividades conduzindo a escavadora que iria abrir o primeiro buraco das obras. E houve ainda música por parte do rancho infantil da Chamusca e a atuação da Marcha de Campolide.
 
Quando foi construído o estádio tinha lotação de 40 mil espectadores. O terceiro anel, que na altura era apenas num das bancadas, aumentou a capacidade para 70 mil. Em 1985, com a expansão do terceiro anel a todo o recinto, a Luz passou a poder albergar 120 mil pessoas, tornando-se então no maior estádio da Europa.
 
Mais um círculo no Inferno
 
Mas voltemos a 1960, ao tal dia 5 de outubro, em que o terceiro anel foi inaugurado. O estádio engalanou-se para a ocasião, mas não apenas por causa da bancada nova. A festa coincidiu com a receção do Benfica ao Hearts, da Escócia, em encontro da segunda mão da primeira eliminatória da Taça dos Campeões Europeus 60/61, aquela que os encarnados viriam a ganhar «sem espinhas», para surpresa da Europa.


Depois de uma vitória por 2-1 na Escócia, com golos de José Águas e José Augusto, o Benfica venceu em casa por uns claros 3-0. Os marcadores foram os suspeitos do costume: José Águas, que bisou, e José Augusto. A pré-eliminatória estava no papo, e o resto da competição também não escaparia.
 
Os húngaros do Ujpest Dozsa (6-2), os dinamarqueses do Aarhus (3-1) e os austríacos do Rapid Viena (3-0) foram os adversários seguintes. Na final, a equipa de Bela Gutmann bateu o Barcelona por 3-2 e arrecadou o primeiro dos dois títulos seguidos da mais importante competição da UEFA, prova até então sempre ganha pelos espanhóis do Real Madrid.

O terceiro anel, esse, viria a mostrar que era mais do que uma bancada, um aro de cimento onde as pessoas se podiam sentar. Aumentar a capacidade do estádio permitiu aumentar a quantidade de adeptos, a quantidade de apoio à equipa. O ambiente impressionava os adversários e criou a mística do «Inferno da Luz». Era o 12.º jogador, e «terceiro anel» passou também a ser o nome informalmente dado aos adeptos mais fiéis.


segunda-feira, 20 de junho de 2016

CONDECORAÇÃO



Atribuição do grau de Comendador da ordem de Cristo. Distinção atribuída pelo Governo, tomando em conta os altos serviços prestados pelo clube ao desporto português.



A sede na Av. Gomes Pereira, em Lisboa (1916 - 1925)



É num ambiente de grande instabilidade social, com a 1ª República a atravessar tempos difíceis, a Alemanha a declarar guerra a Portugal e o País a formar o CEP (Corpo Expedicionário Português), que o Benfica se instala na sua nova sede, situada na Avenida Gomes Pereira. São instalações de grande qualidade, que vão acompanhar o Clube numa fase de notável crescimento, em termos desportivos e associativos, muito por acção do Presidente da Direcção, Bento Mântua, eleito em 22/04/1917, e reeleito, consecutivamente, mais 7 anos, até 05/08/1926 - uma presidência que viria a marcar uma fase importante na vida do Glorioso. A sede tinha, nas suas traseiras, um rinque onde se patinava desde 1914. Foi aí que nasceu, em Portugal, o Hóquei em Patins.
Esta modalidade começou por ser praticada pelos sócios dos Desportos de Benfica. Em 1916, estendeu-se aos associados do SLB. Mais tarde, em Agosto de 1917, realizou-se o primeiro jogo com outro clube. Eram, então, diversas as modalidades em expansão: Atletismo, Patinagem, Pólo Aquático, Natação, Ciclismo e Ténis. Em 1919, o Clube vence os primeiros títulos em Luta Greco-Romana, obtidos pelo... futebolista (!) Cândido de Oliveira. As excelentes condições do edifício sede possibilitaram a realização de inúmeras actividades socio-culturais, como a formação dum grupo dramático em 1917, e a realização de actividades desportivas, casos dos concursos de Tiro, em 1921; Esgrima, em 1923; e a prática de Ginástica, Patinagem e Ténis (de Campo).
Nos terrenos existentes nas traseiras da sede, o Benfica inaugurou, em 11/11/1917, um campo de futebol, onde viria a realizar inúmeros jogos, quer de futebol, quer, mais tarde, de Hóquei em Campo e de Râguebi, quando se iniciou na prática destas modalidades (1923 e 1924, respectivamente). Neste campo, o Benfica venceu inúmeros troféus. Aí se estrearam grandes atletas que dignificaram o nome do Clube. Foi, também, neste recinto que se realizou, com iluminação artificial, o primeiro jogo nocturno no nosso País. Em 1919, A importância do Benfica era tal que o Clube inaugurava, com frequência, filiais em Portugal e nas colónias portuguesas de África.
Durante este período, destacam-se, nas várias modalidades, os atletas Luís Piedade, Santos Borges e Santos Almeida (ciclismo) - com o último a vencer, em 1925, a 1ª estafeta Coimbra-Lisboa -; Feliciano Gonçalves (atletismo); Carlos Sobral (natação e pólo-aquático); Rogério Futscher, Germano Magalhães, António Adão e Ilídio Nogueira (hóquei em patins e patinagem). Em 1923, o Benfica arrenda, no centro da cidade (Rua da Rosa), uma Secretaria, para desdobrar os Serviços Administrativos, e vence, em 11/03/1924, a 1ª Taça de Popularidade, com 1763 votos - uma diferença de 442 para o 2º lugar. O Benfica confirmava, assim, pela 1ª vez, em número, que era  o clube mais popular do País.
Em 1923, é feita, pela primeira vez, uma distinção com a "Águia de Ouro" - Carlos Alberto Faria, responsável pela expansão do Benfica em África, particularmente na Beira/Moçambique, é premiado pela dedicação ao Clube. Em 18/12/1921, por ocasião da estreia da Selecção Nacional de futebol, são seleccionados 4 jogadores do SL Benfica para o jogo com a congénere espanhola, a realizar em Madrid. Portugal perde por 1-3 e Alberto Augusto, extremo-esquerdo do Benfica, torna-se o primeiro jogador a assinar um golo pela selecção nacional (apontado a 15' do final da partida). Os restantes atletas benfiquistas requisitados para o jogo pioneiro da equipa lusa foram: Víctor Gonçalves (médio-centro), António Ribeiro dos Reis (avançado-centro) e Fernando de Jesus (defesa), tendo o último ficado a suplente.

Entre 1916 e 1925, estrearam-se, na 1ª categoria, grandes jogadores de futebol, alguns deles provenientes das categorias inferiores, autênticas escolas de futebol. Destacam-se, entre outros: João Moraes, Fernando de Jesus, Jesus Crespo, Víctor Gonçalves, Alberto Augusto, José Pimenta, António Pinho, José Simões, Mário de Carvalho, Víctor Hugo, Luís Costa, Jorge Tavares e Hugo Leitão. Entre 1906/07 e 1924/25, o Benfica disputou, nas 4 categorias, 66 campeonatos, vencendo 36 (54%), ficando em 2º por 17 vezes (26%), em 3º por 10 e em 4º por 3.


1913  Sai o primeiro Número do Jornal Sport Lisboa





1º exemplar em 14 de Agosto de 1913



É nesta época que o Benfica conquista o seu primeiro TRI na história. É também a época em que é lançado o semanário "O Sport Lisboa", o primeiro jornal clubista de Lisboa.


domingo, 19 de junho de 2016


BI-CAMPEÕES EUROPEUS

As primeiras taças 5 taças foram conquistadas pelo Real Madrid. O Benfica quebrou o domínio do Real Madrid, um ano antes (1961, Berna), ao derrotar na final o Barcelona (Espanha) por 3-2, sagrando-se campeão europeu pela 1ª vez.



Na final de 1962, O Benfica encontrou o Real Madrid que se viu na frente do marcador com dois golos de Puskas. José Águas reduziu para 2-1. Cavém empatou a 2-2, mas Puskas volta a desempatar, ao conseguir a proeza de um Hat-Trick (3-2).  Mas Coluna volta a empatar com um remate de fora da área. O Benfica acreditou e Eusébio foi derrubado dentro da área, conquistando uma grande penalidade. O mesmo converteu e fez o 4-3, confirmando a reviravolta. Por fim na conversão de um livre à entrada da área, Eusébio faz o 5-3 final após passe de Coluna.

FOTOS











VIDEOS


FK AUSTRIA 1 - BENFICA 1


BENFICA 5 - FK AUSTRIA 1



Tottenham 2 - BENFICA 1



FINAL - BENFICA 5 - REAL MADRID 3



VITÓRIAS E PATRIMÓNIO BI CAMPEÃO EUROPEU




INAUGURAÇÃO DA LUZ ARTIFICIAL



No dia 9 de Junho de 1958 é inaugurada a luz artificial no estádio da Luz.



O BILHETE DA INAUGURAÇÃO

IMAGEM DO ESTÁDIO COM AS LUZES


O ESTÁDIO COM AS 4 TORRES DE ILUMINAÇÃO

CAMPEÕES EUROPEUS

Era com entusiasmos que o Benfica voltava a participar na Taça do Campeões. Contudo poucos acreditavam que o Benfica pudesse chegar longe na prova ou mesmo vencê-la; poucos excepto o próprio Bela Guttmann, o qual fez questão de incluir um prémio extra no seu contrato, caso o clube vence-se a prova.



O Benfica estreou-se contra o Hearts da Escócia. Foi a primeira vez que uma equipa portuguesa passava a primeira eliminatória da Taça dos Clubes Campeões, depois cilindrou o Ujpest da Hungria, de seguida foi a vez do Ahrus da Dinamarca e do Rapid de Viena caírem aos pés da equipa encarnada. O Benfica estava então na final, a qual ia ser disposta com o Barcelona, que entretanto havia eliminado o então penta campeão da competição Real Madrid.


O jogo foi agendado para 31 de Maio de 1961 em Berna na Suíça. Para além da equipa, viajaram também para a Suíça cerca de 2000 adeptos, os quais se juntaram a muitos outros milhares de emigrantes portugueses que entretanto também já lá viviam. O estádio tinha capacidade para 28 000 espectadores, uma insignificância, quando comparado com o estádio da Luz.


O Benfica alinhou com Costa Pereira, Mário João, Ângelo, Neto, Germano, Crus, José Augusto, Santana, Águas, Coluna e Cavém. Após um jogo muito disputado o Benfica acabou por vencer por 3 – 2, sagrando-se então pela primeira vez Campeão Europeu.



À chegada a Lisboa, o clube foi recebido por uma multidão em festa que esperava a equipa no Aeroporto Internacional de Lisboa. Mais tarde a equipa foi também distinguida pelo governo, recebendo a medalha de Mérito Desportivo.

VIDEOS

JOGO COMPLETO



Vitórias e património Campeões Europeus 1961 (1ª Parte)



Vitórias e património Campeões Europeus 1961 (2ª Parte)



Vitórias e património Campeões Europeus 1961 (3ª Parte)



Vitórias e património Campeões Europeus 1961 (4ª Parte)





Novo Estádio da Luz 2003 - …



Novo Estádio Da Luz

No ano de 2000, Portugal foi eleito para Organizar o Europeu de Futebol de 2004. O Benfica teve então de decidir entre fazer obras de melhoramento no estádio antigo, construir um estádio novo que seria partilhado com o Sporting ou construir o seu próprio estádio. Esta última, apesar de ser a mais dispendiosa, foi a opção tomada. Esta decisão permitiu o Benfica ter hoje um estádio moderno a par dos seus mais directos rivais.

O estádio levou dois anos a construir entre 2001 e 2003. Nos últimos meses de construção o Benfica teve de ir jogar para o Estádio Nacional no Jamor, uma vez que parte do novo estádio se sobrepunha ao estádio antigo.


O Novo Estádio da Luz foi inaugurado a 25 de Outubro de 2003 num jogo amigável com o Nacional de Montevideu do Uruguai. A Nova Catedral da Luz tem um capacidade de 65 400 lugares, todos eles cobertos e está ao nível dos mais modernos estádios de futebol dos dias de hoje.


2002 VISITA VIRTUAL AO FUTURO ESTÁDIO DA LUZ



VISITA GUIADA AO ESTÁDIO DA LUZ



INAUGURAÇÃO (PARTE 1)



INAUGURAÇÃO (PARTE 2)



INAUGURAÇÃO (PARTE 3)



Estádio do Sport Lisboa e Benfica 1954/2003





O dia 1 de Dezembro de 1954 é a data que assinala um dos maiores feitos da história benfiquista - a inauguração do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, popularmente conhecido por Estádio da Luz.

Foi o culminar de um sonho de muitos anos, após inúmeras iniciativas e actividades que movimentaram o País e as colónias portuguesas, num esforço gigantesco que merece figurar na história contemporânea de Portugal como um dos seus capítulos mais vibrantes.

Podemos classificar o Estádio como um monumento erguido com a vontade de um povo! Após várias décadas sem casa própria, o maior e mais popular clube português conseguia, finalmente, um estádio à imagem da sua dimensão.

Logo que, em Março de 1944, o Clube teve conhecimento de que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) - proprietária do Campo Grande, onde o Benfica jogava desde 05/10/1941 - estava a estudar uma nova localização para o recinto benfiquista, começou a pensar-se na ideia de construir um novo estádio. Porém, os anos foram passando e as Direcções do Clube, eleitas anualmente, mostravam-se incapazes de obter, da CML, terrenos para a edificação do novo campo. Alguns associados descontentes com a situação são eleitos, a 19/01/1946, para a direcção, conseguindo, a 17/05/1946, um encontro no Ministério das Obras Públicas, durante o qual o ministro eng.º Cancela de Abreu se mostra interessado na resolução do problema, afirmando que "o Benfica é de Benfica e para lá tem de voltar!".

Iniciava-se, então, o processo que levaria à construção do estádio actual

Joaquim Bogalho tinha um conjunto de princípios que procurava implementar. O estádio deveria ser feito ao nível do melhor clube português, salvaguardando o seu pagamento imediato, de modo a evitar empréstimos que hipotecassem novamente o futuro, como acontecera com o estádio das Amoreiras havia dois decénios! É que, considerava-se, o enfraquecimento do nosso futebol durante os anos 30 e 40 muito se devera aos pagamentos de empréstimos  para a construção desse estádio, o que exaurira o clube ("esse cancro que corroía a nossa existência; um tormento atroz.", nas palavras de Bogalho), conduzindo à debilitação da equipa principal de futebol. Procuravam-se, assim, terrenos amplos e acessíveis na cidade de Lisboa, bem localizados e onde se conseguisse construir um "Parque de Jogos" que fosse ao encontro do eclectismo do Clube.

Procurava-se, por tudo isto, obter terrenos em condições vantajosas: topografia que facilitasse (e não encarecesse) os trabalhos e a um preço acessível, já que o desejo não era arrendar mas sim comprar - o que, para evitar encargos futuros, só viria a ser possível em 21/10/1969. Quanto ao tipo de construção, o ideal seria um estádio sem luxos, mas funcional, à imagem do Benfica, ou seja, um recinto desportivo com uma capacidade de assistência aceitável para a massa associativa (40 000 lugares - o Clube registava 14 334 sócios em 31/12/1949) e erguido a partir de um projecto que comtemplasse a possibilidade de ampliação futura. Depois de delimitados os terrenos em Carnide - entre a estrada de Benfica, a rua dos Soeiros e a azinhaga da Fonte (próximo do local onde estava projectada a nova avenida circular de Lisboa) -, iniciaram-se as expropriações por parte da CML, a 15/11/1949.

A elaboração do projecto do "Novo Parque de Jogos" foi entregue ao arquitecto João Simões, antigo futebolista do Clube, nas categorias inferiores, entre 1925/26 e 1929/30, que teve a sabedoria de conceber um conjunto de recintos desportivos magnífico para o estádio principal e para os espaços desportivos envolventes, uma obra arquitectónica notável, que, apesar de concluída apenas 40 anos depois, seguiu as "linhas gerais" definidas em finais dos anos 40 por João Simões, o que enaltece a genialidade do projecto inicial. Já nos anos 50, iniciam-se as campanhas financeiras que vão viabilizar a construção do estádio. A 27/10/1951, surge a ideia de aumentar voluntariamente a quota de 16$00 para 20$00, dando início à campanha "Fundos para o novo Estádio", que rapidamente tem grande adesão por parte dos associados.
Mas é com a eleição da Direcção presidida por Joaquim Bogalho, em 15/03/1952, que se incrementam diligências para a construção do estádio.

Destas, destaca-se a criação da "Comissão Central do Novo Parque de Jogos do SLB", encabeçada por Joaquim Bogalho. A Comissão estimulou e desenvolveu variadas iniciativas e coordenou ideias de outros associados, gerando-se um movimento imparável, exaltado de benfiquismo e que permitiu o êxito das várias iniciativas, devidamente publicitadas no semanário do clube, O Benfica. Após a Assembleia Geral de 16/07/1952 ter autorizado a Direcção a assinar o contrato de ocupação dos terrenos que a CML destinara ao futuro estádio do Clube, entrou-se num período de euforia que só viria a dissipar-se com a inauguração do Estádio.

A visita à Estrada da Luz, 203, local dos terrenos do futuro estádio, determinou o lançamento da campanha de donativos "O Primeiro Impulso", arrancando, desde logo, com 90 000$00. A escritura da cedência dos terrenos efectuou-se na CML, a 06/11/1952. A área foi de 120 000 m2, sob arrendamento mensal de 1 500$00, passando, mais tarde, em Julho de 1954, para 5 000$00, também mensais, mas sempre com a perspectiva de aumentar a área envolvente e garantir a compra dos terrenos, o que realmente viria a acontecer. Em Janeiro de 1953, as dádivas começam a ser recolhidas no "Fundo de Construção do Novo Parque de Jogos do Clube". Quando a 23/05/1953 é adjudicada a empreitada de terraplanagens, pelo valor de 840 000$00, contabilizava-se já, nos "Fundos Pró-Estádio", um total de 1 355 658$00.

A inauguração oficial das obras efectua-se em 14/06/1953. Numa primeira fase, o Clube desenvolve uma intensa campanha para  obtenção de fundos: leilões diários na Secretaria, espectáculos pró-estádio, sorteios monumentais e disponibilização de um mealheiro gigante no Pavilhão do Benfica na Feira Popular. São levadas a cabo, também, algumas iniciativas de âmbito cultural, como um concurso de cartazes e outro de quadras populares. O êxito destas acções permite ao Clube guarnecer-se de recursos financeiros para os trabalhos iniciais de terraplanagem do local, por onde vão passando milhares de pessoas que não deixam de colaborar, pagando 10$00 por cada enxadada. Tudo isto com a ajuda do jornal "O Benfica",  que reserva semanalmente as páginas 4 e 5 (centrais), com o título "Pró-Estádio do Benfica", acompanhando o desenrolar dos acontecimentos e das acções de angariação de fundos e noticiando e promovendo novas iniciativas.

Com a multiplicação dos Festivais Pró-Estádio em vários locais, dentro e fora do país, do Minho a Timor, os trabalhos decorrem sem interrupções, em pleno clima de exaltação. A 30/01/1954, quando se adjudica a empreitada para as fundações das bancadas - pelo valor de 542 330$00 -, havia nos "Fundos" um saldo de 2 336 825$48. Em simultâneo, inicia-se uma gigantesca "Campanha do Cimento". Quando, a 17/05/1954, se inicia a construção das bancadas do 1.º e do 2.º anel, adjudicadas por 5 968 000$00, regista-se um saldo de 2 078 400$48 e assinala-se a entrada no Clube de 9 327 sacos de cimento, correspondendo a 467 toneladas. Em Outubro de 1954, foi criada a campanha "O Último Impulso - Quem não deu que dê agora, quem já deu que torne a dar". O slogan serviu para incentivar os donativos em dinheiro e cimento que se prolongaram para lá da inauguração do estádio, permitindo a Joaquim Bogalho, tal como era seu desejo, pagar o estádio - no valor de 12 037 683$65 - quando deixou o cargo de presidente da direcção, após as eleições de 30/03/1957.

Inauguração do Estádio da Luz

Finalmente, às 11 horas do dia 1 de Dezembro de 1954, o emocionado líder do Clube, e maior responsável pela passagem do sonho à realidade, Joaquim Ferreira Bogalho, abre simbolicamente uma das portas de acesso ao Estádio, inaugurando um dos mais belos recintos desportivos do mundo. O Recinto viria a acompanhar o futuro crescimento desportivo e associativo do Clube. Originalmente com "dois anéis", sem iluminação e isolado, seria mais tarde dotado de torres de iluminação (1958), de um 3º anel construído em duas fases (1960 e 1985,  permitindo aumentar a sua lotação para 70 000 e 120 000 pessoas, respectivamente) e de inúmeras infraestruturas desportivas à sua volta. A 04/01/1987, por ocasião da 15.ª jornada do Campeonato Nacional de 1986/87, frente ao FC Porto, o Estádio da Luz registaria a maior assistência de sempre: 135 000 pessoas!

O "efeito luz"

A importância da nova casa, onde o Benfica dispunha pela primeira vez na sua história de um campo relvado revelou-se logo na época da sua inauguração, com a conquista do título de Campeão Nacional, que escapava desde 1950. Muitos clubes passaram então a sentir o "efeito Luz", saindo, com frequência, goleados do majestoso reduto. Que o digam alguns dos mais reputados emblemas do futebol internacional, que sucumbiram, em jogos da Taça dos Campeões, ao efeito terrível da "Catedral": 6-2 ao Ujpest da Hungria (06/11/1960), 5-1 ao Áustria de Viena (08/11/1961), 6-0 ao campeão alemão, FK Nuremberga (22/02/1962), e 5-1 ao finalista europeu de 1964, o Real Madrid (24/02/1965). Em jogos com clubes portugueses, os exemplos são igualmente vastos: 9-0 ao Boavista, para o Nacional (07/02/1960), 6-0 ao FC Porto, para a Taça (30/04/1972), 5-0 ao Sporting, para o Nacional (19/11/1978) e 8-0 ao Belenenses, para o Nacional (30/03/1980).

Entre outros, foi também na Luz que o Benfica comemorou 23 (2 "bis" e 4 "tris" pelo meio) dos seus 30 títulos de Campeão Nacional, o apuramento para  23 finais da Taça de Portugal (tendo 16 resultado na obtenção do troféu), 7 passagens à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus e a disputa da 2.ª mão da final da Taça UEFA, em 18/05/1983. Tendo como referência a vitória 2700 do Clube (curiosamente, 2300 com adversários portugueses), registada em 12/01/2002, data em que o Benfica defrontou, para o Nacional de 2001/2002, o Varzim SC (3-2), já se tinham jogado, até essa data, 1068 jogos no Estádio da Luz, desde a sua inauguração em 01/12/1954. A vitória 400 com adversários estrangeiros foi, também, conseguida no nosso Estádio, a 05/08/2001.


No total de 1075 jogos realizados, o Benfica somou 846 vitórias, 167 empates e apenas 62 derrotas, tendo marcado 3121 golos e sofrido 692. Entre 02/03/1969 e 18/12/1973, o Benfica registou a espantosa marca de 91 jogos consecutivos sem perder, com 80 vitórias e 11 empates. De assinalar, também, o registo fantástico de 37 vitórias consecutivas, alcançadas entre 01/12/1979 e 22/04/1981. O universo do futebol jamais esquecerá aquele que é carinhosamente conhecido no mundo por "stadium of light", um Estádio onde se disputaram alguns dos melhores jogos de futebol realizados na 2.ª metade do séc. XX.