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quinta-feira, 8 de setembro de 2016


FERNANDO RIERA



Duas passagens pelo Benfica equivaleram a três títulos. Esta é a principal imagem de marca do Chileno Fernando Riera, o qual teve a honra de trabalhar nos quatro “grandes” de Portugal: Belenenses (54/57), Benfica (em dois períodos: 62/63 e 66/68), FC Porto (72/73) e Sporting (74/75).

Fernando Riera ainda hoje é considerado o treinador com mais sucesso na história do futebol chileno. Durante a década de 40, foi um bem sucedido avançado chileno que se destacou na Universidad Católica e na Selecção do Chile. “El Tata”, como ficou conhecido, foi o primeiro jogador chileno a jogar na Europa (Stade de Reims e FC Rouen). Finalizada a carreira de jogador, Riera iniciou o curso de treinador em França



Em Portugal, iniciou-se no Belenenses. Participou na Taça Latina 55 e, nesse mesmo ano, perdeu o campeonato a quatro minutos do fim da última jornada (2-2 com Sporting) para o Benfica. Regressou ao Chile, onde faria boa figura à frente da selecção, com terceiro lugar no Mundial 62. Daí transitou para o Benfica, com a espinhosa tarefa de substituir Bela Guttmann, bicampeão europeu. Não se amedrontou. Na estreia, ganhou o titulo nacional e chegou à final da Taça dos Campeões, perdida para o AC Milan (2-1), em Wembley.

Na época seguinte saiu para o Espanyol, passaria ainda por Boca Juniors, Corunha, Marselha e Monterrey, antes de regressar à Luz para mais época e meia (saiu à sétima jornada). Serviu para mais dois títulos de campeão.



Fernando Riera fez o primeiro jogo como treinador do Benfica a 21 de Outubro de 1962, numa vitória sobre o Belenenses (4-1), no Restelo, tendo disputado o último jogo, a 30 de Novembro de 1967, numa derrota frente ao St. Étienne (1-0), em França.


Épocas no Benfica: 3 (62/63, 66/68)

Jogos: 92
Vitórias: 69
Empates:12
Derrotas:11

Títulos: 3 CN

quarta-feira, 7 de setembro de 2016


BÉLA GUTTMANN



Béla Guttmann (Budapeste, 27 de janeiro de 1899 — Viena, 28 de agosto de 1981) foi um futebolista e treinador húngaro de origem judaica. Guttmann é considerado ser o descobridor do astro do futebol português Eusébio.

Treinador do Honvéd, enfrentou Puskás pela substituição de um jogador, tendo nos balneários anunciado a sua renúncia. O seu estilo ofensivo reinou nas duas décadas de 1950 e 1960, em vários países, clubes e em dois continentes. Depois da sua saída da Hungria, torna o Enschede holandês (agora FC Twente) campeão. Assim que chega, leva o AC Milan à vitória no campeonato em 1954-55. No ano seguinte, vai para o futebol uruguaio, e é campeão com o Peñarol. Em 1957, faz outra mudança, desta vez no Brasil, com o São Paulo Futebol Clube. Lá, Béla Guttmann põe uma condição: contratar Zizinho, "Mestre Ziza", 35 anos, o jogador que encarnou o "futebol arte" no Brasil, o modelo e ídolo de Pelé, tendo-se tornado, uma vez mais, campeão.



De regresso à Europa, o destino foi Portugal, primeiro no Porto, onde também foi campeão, e depois para um dos "grandes" de Lisboa, o Benfica onde se senta ao lado do técnico brasileiro do São Paulo, José Carlos Bauer, ex-jogador dos Mundiais de 1950 e 1954. Este conta-lhe que viu uma grande promessa em Lourenço Marques, Moçambique. Béla Guttmann manda um emissário e em dias, no final de 1960, Eusébio da Silva Ferreira chega a Lisboa.



Final do Torneio de Paris, 1961. Béla Guttmann, desespera na final contra o Santos de Pelé, que vence por 3-0 no intervalo. A 20 minutos do final, coloca para jogar o Pantera Negra, Eusébio, que marca três golos seguidos. Guttmann dizia a Eusébio e aos seus outros jogadores: "Metamos três golos e já veremos". Este marca então três golos na partida, vencendo o Santos o prestigioso torneio por 6 a 3. O Jornal France Football titula "Eusébio 3 - Pelé 2". Béla Guttmann e Eusébio, à parte de ganharem os campeonatos portugueses, fariam do Benfica uma das melhores equipas da Europa nos anos 60. Foi o apogeu e o final feliz da grande história de Béla Guttmann.



Segundo o jornalista brasileiro Fabio Lima, ele tinha uma regra para sua carreira de treinador: nunca ficava mais de três anos numa equipe, pois considerava que este era o tempo antes de seus jogadores se desgastarem e perderem a motivação.

A "Maldição"

Em maio de 1962, a Europa assistia ao segundo título europeu consecutivo do Benfica, após derrotar o Real Madrid histórico de Di Stéfano, Puskas e cia por 5 a 3, com show do jovem Eusébio. Extasiados, os torcedores portugueses comemoravam mais uma grande conquista e o domínio sobre o futebol do continente. Mal sabiam eles que, a partir dali, uma nuvem negra pairaria sobre o clube.



Em fim de contrato, o técnico húngaro Béla Guttmann, comandante da equipe nos dois títulos da Uefa Champions League, pediu aumento salarial para continuar no cargo. A diretoria, porém, relutou em concedê-lo. Sem resolver o impasse, o treinador decidiu deixar o clube, para a tristeza de todos os benfiquistas. De saída de Lisboa, rogou uma praga que jamais seria esquecida pelos encarnados:

“Sem mim, nem daqui a
cem anos o Benfica conquistará uma taça continental.”


Iniciou-se, a partir de então, o que ficaria para sempre conhecido por todos em Portugal e no mundo como a Maldição de Béla Guttmann. Simões, jogador do Benfica naquela época, contou como surgiu essa maldição em entrevista à RTP:

“Bela Guttman queria continuar no Benfica. Para aquele tempo e com o estatuto que tinha conseguido, ao ter ganho duas Taças dos Clubes Campeões Europeus (TCCE) e títulos nacionais, foi exuberante na exigência de um contrato extremamente elevado. O Benfica teve grandes dificuldades em lhe pagar o prémio da Taça dos Campeões. Quando ele chegou ao Benfica disse que queria pôr um prémio se ganhasse a TCCE. O Benfica disse que sim pensando que seguramente não íamos ganhar. Aconteceu que ganhámos e depois foi um problema para lhe pagar. E portanto houve algumas dificuldades de corresponder às exigências de Bela Guttman.” disse.

Logo no ano seguinte, o Benfica chegou à sua terceira final seguida de Champions League, dessa vez contra o Milan de José Altafini - o popular Mazzola, para os brasileiros. E foi o ex-jogador do Palmeiras o carrasco dos portugueses. Após Eusébio abrir o placar, Mazzola virou a partida no segundo tempo e deu o título aos rossoneros, quebrando a hegemonia encarnada.



Ainda nos anos 60, a geração de ouro do Benfica teve mais duas oportunidades de desmentir Guttmann e voltar ao topo da Europa, mas também falhou: em 1964/65 foi derrotado pela Internazionale de Milão por 1 a 0, e, em 1967/68, perdeu para o Manchester United de Bobby Chalton por 4 a 1, sofrendo três gols na prorrogação.

Ignorada a princípio, a maldição começava a incomodar o time de Lisboa. E teve continuidade na década de 80. Primeiro, com o vice-campeonato da Copa da Uefa - atual Europa League, em 1983, contra o Anderlecht, com o time perdendo o jogo de ida na Bélgica por 1 a 0 e empatando em 1 a 1 no Estádio da Luz. Cinco anos depois, a sexta final de Uefa Champions League e o quarto fracasso, agora da forma mais dramática possível: na decisão por pênaltis, após um 0 a 0 contra o PSV.

"O passa-repassa-chuta são indispensáveis para chegar ao gol. Marca e desmarca. Se a bola não é nossa, marca. Se a bola é nossa, desmarca. Este é o principio fundamental do futebol."



Em 1990, o Benfica se preparava para a sua oitava final continental, novamente contra o Milan, pela Champions. O jogo ocorreria em Viena, cidade onde está enterrado o corpo de Guttmann, morto em 1981. Era a oportunidade ideal para quebrar de vez a maldição, já que estariam na “presença” do ex-técnico. Porém, mais uma vez, a fala de Guttmann prevaleceu e o Milan foi campeão ao vencer pela vantagem mínima, gol de Rijkaard.

Nas décadas seguintes, o clube passou pela pior fase de sua história, tendo dificuldades financeiras e montando times pouco competitivos. Só no final da década de 2000 voltou a figurar em fases mais avançadas de competições europeias, até que na temporada 2012/2013 chegou à final da Uefa Europa League, contra o Chelsea.

O time vinha sedento, disposto a quebrar o tabu e esquecer a derrota dolorida para o Porto no final de semana anterior, nos acréscimos, que deixou os Encarnados longe do título português. Mas, mais uma vez, o Benfica foi traído pelo tempo adicional: com um gol de Ivanovic, aos 47 do segundo tempo, o Chelsea fazia 2 a 1 e conquistava a taça.



Ao longo desses 51 anos, foram sete finais continentais e sete vices. Seis deles por um gol de diferença ou menos – quando a diferença de gols foi maior, houve prorrogação para deixar aquela sensação do “quase” no torcedor benfiquista. A cada final perdida, o fantasma de Béla Guttmann causa mais traumas e assusta ainda mais o clube português.

A mais recente maneira de tentar quebrar a maldição de Béla Guttmann, ocorreu sem grande alarde, no início deste ano. O Benfica inaugurou uma estátua em homenagem ao antigo treinador húngaro. Esculpido em bronze, com dois metros de altura, o monumento representa Guttmann em pé, segurando em cada braço um dos troféus de campeão europeu que conquistou pelos encarnados. Ao pé da estátua, instalada junto ao portão 18 do Estádio da Luz, está uma das mais emblemáticas frases ditas pelo treinador ao longo de sua passagem pelo clube: “Só quem está aqui dentro, no Benfica, é que pode saber o que é mística. Não há nenhum clube do mundo com a mística igual à do Benfica.”

O clube, porém, não se pronuncia de maneira oficial sobre o assunto da 'maldição'. No discurso de inauguração do monumento, o vice-presidente benfiquista, Rui Gomes da Silva, passou raspando pelo assunto. “Não se trata de exorcizar nada nem ninguém, mas de homenagear o treinador que confirmou, no princípio da década de 60, a fama europeia de um Benfica glorioso”, disse.




Os benfiquistas confiam que, com a estátua de Béla Guttmann, a praga pode ser quebrada. Afinal, acreditam, de alguma forma que o técnico está de volta ao estádio da Luz e, se não teve o aumento de salário pedido em 1962, poderá ser reverenciado por todos os encarnados que passam pelo portão 18. Foi o antídoto encontrado pelo Benfica para acabar com a maldição.



terça-feira, 9 de agosto de 2016


OTTO GLÓRIA 



Treinador
Naturalidade: Brasil
Data de nascimento: Terça, Janeiro 9, 1917
Data de óbito: Quinta, Setembro 4, 1986

Neto de portugueses, nasceu no Brasil e fez história em Portugal. Comandou Benfica, Sporting, Belenenses, FC Porto e a selecção portuguesa, como treinador de campo, rumo ao terceiro lugar no Mundial de 66, tendo-lhe pertencido também o comando da selecção no inicio da qualificação para o Euro 84. É ainda o técnico com mais títulos de campeão nacional pelos benfiquistas, e só este facto serve para entrar na lista dos notáveis. Mas há mais…


OTTO GLORIA PRIMEIRA PARTE




OTTO GLORIA SEGUNDA PARTE




OTTO GLORIA TERCEIRA PARTE




Otto Glória chegou a Lisboa em 1954 para limpar a face ao futebol amador português. O Benfica contratou-o para profissionalizar o clube e Otto Glória revelou-se à altura do desafio. Criou o Lar do Jogador, implementou concentrações e estágios com regras rígidas (os jogadores foram proibidos de jogar cartas ou dados e de falar calão), proibiu o próprio presidente do clube (Joaquim Bogalho) de ir ao balneário ou falar com os futebolistas e introduziu a táctica 4x2x4, que já se praticava no Brasil. O novo sistema implementado – a célebre “diagonal” – que fez furor no futebol português.

Não era “bruxo” nem fazia milagres: a sua receita era trabalho, organização e disciplina. E um perfume de criatividade que tornou o futebol português mais bonito, mais artístico e… mais eficaz.


À fama de disciplinador e duro, juntava-se uma outra personalidade paternalista e humana. Aliás, essa faceta ficou bem à vista aquando da segunda passagem pelo Benfica, em 1968. Chegou a cinco jornadas do fim, foi campeão nacional e não quis ficar com o prémio de 50 contos. Propôs à Direcção que o desse, na sua totalidade, aos jogadores. “Eles é que merecem”, justificou. Ficou sem dinheiro, mas ganhou ainda mais respeito e admiração de todos. Um senhor!



Otto Glória conquistou quatro Campeonatos Nacionais e cinco Taças de Portugal, mas a nível europeu não foi particularmente feliz no seu regresso ao clube. Foi finalista vencido, após prolongamento (1-4), em Wembley, frente ao Manchester United de Charlton, Law e Best, na época de 67/68.

Otto Glória fez o primeiro jogo como treinador do Benfica a 12 de Setembro de 1954, numa vitória sobre o Vitória de Setúbal (5-0), no Jamor, tendo disputado o último jogo, a 8 de Fevereiro de 1970, numa derrota frente à CUF (0-1), no Jamor.



Épocas no Benfica: 8 (54/59 e 67/70)


Jogos: 244
Vitórias: 159
Empates: 45
Derrotas: 40


Títulos: 4CN, 5TP


           
Campeonato Nacional (1967/68)
Campeonato Nacional (1968/69)
Campeonato Nacional (1954/55)
Campeonato Nacional (1956/57)
           
Taça de Portugal (1968/69)
Taça de Portugal (1969/70)
Taça de Portugal (1954/55)
Taça de Portugal (1956/57)
Taça de Portugal (1958/59)



José Valdivieso




José Alberto Valdivieso Tetamanti (nascido em 21 de junho de 1921) foi um defesa
argentino, que jogou pelo Atlético Madrid de 1945 a 1949. 



Depois da sua carreira futebolistica, juntou-se ao Benfica como um treinador de jovens, durante 10 anos, ele treinou  equipes principais em duas ocasiões separadas, ganhando uma Taça de Portugal contra o FC Porto, pelo Benfica, e mais tarde, também conseguiu ganhar pelo Deportivo Galicia da primeira divisão Venezuelana.

sábado, 25 de junho de 2016


Alberto Zozaya 



Era um antigo goleador de créditos firmados no país natal, ao serviço do Estudiantes, que ajudou a viver grande parte dos seus melhores dias. Inclusivamente começou como treinador no clube de La Plata.

Pegou na equipa do Benfica em 52/53, numa época em que o Sporting foi campeão, mas não chegou sequer ao fim. Saiu em Fevereiro, após uma derrota com o Sporting, no Jamor. Seguiu-se, em 53-54, José Valdivieso, um antigo jogador do clube, que treinou com sucesso os juniores antes de assumir os seniores. Saiu no final da época.


Cândido Tavares





Cândido Coelho Tavares, casa-piano e primeiro-sargento do Exército Português, nasceu no Seixal (Setúbal), em 30 de Dezembro de 1911 e veio a falecer em 18 de Junho de 1997. O seu corpo está depositado no Cemitério do Seixal. Uma pessoa que muito me marcou pela sua maneira de ser e estar, solidário e de coração aberto, sempre com voz pausada, clara e elucidativa, conversador emérito e ouvinte especialíssimo, virtudes que demonstrava, na sua lhaneza, em todos os seus actos fosse com quem fosse, desde as pessoas mais simplórias até aos mais diplomados.



Então com os africanos, especialmente com os naturais de fora de São Tomé e Príncipe, principalmente os que não possuíam documentos – entraram de forma ilegal naquele território à procura de trabalho – tinha uma imensa paciência, deslumbrante e cativante, sempre com a solução a contento de quem tanto precisava de regressar à sua terra natal. Enfim, que adjectivos se podem dizer de alguém que tratava o seu semelhante com dignidade, aprumo e respeito? A-propósito, quis o Comando Militar de então louvá-lo e, na Ordem de Serviço 274, de 17 de Dezembro de 1965, expressa o seguinte texto:
“Que, louva o primeiro-sargento do QSSGE (Quadro Sargentos Serviço Geral Exército), CÂNDIDO COELHO TAVARES, desempenhando há cerca de dois anos as funções de Amanuense da 1ª Repartição deste Comando Territorial Independente, especialmente na fase incipiente na sua organização e particularmente nos serviços do RDM (Regulamento de Disciplina Militar) adstrito, suportou sempre um trabalho intenso, havendo-se com excepcional aprumo militar, ponderação, zelo, honestidade e prontidão nos múltiplos serviços de que tem sido encarregado. Muito ordenado nos serviços a seu cargo, manifestou constantemente no contacto quotidiano com os assuntos do pessoal, apurado espírito de justiça, isenção, especial cuidado e humanidade no processo de normalização da situação militar, muitas vezes bastante confusa, não só dos nativos como dos oriundos de outras Províncias, a todos atendendo com o melhor interesse e orientando do modo mais conveniente. O seu empenho de bem cumprir, o seu porte disciplinado, franco e leal, a sua correcção de maneiras e de trato, completam em si um conjunto de qualidades que o impuseram á estima geral e o tornam exemplo a apontar a todos os seus camaradas e inferiores". Na actividade desportiva, como já referi neste blogue, participou como Árbitro no Campeonato Militar de Futebol de 1965, dirigindo 6 jogos. Mas o seu passado, o seu currículo é simplesmente impressionante, senão vejamos o que praticou e quem representou:

COMO ESGRIMISTA


A Fédération Internationale d’Escrime, sediada na Bélgica, emitiu em Setembro de 1920, a licença de praticante Internacional Amador. São Miguel (Açores), 1943

COMO JOGADOR DE BASQUETEBOL



1931/32 – Lusitano Ginásio Clube, de Évora. 

COMO JOGADOR DE FUTEBOL (GUARDA-REDES)




1931 – Casa Pia Atlético Clube
1932 a 1934 – Lusitano Ginásio Clube
1934/35 – Casa Pia Atlético Clube
1934/37 – Sport Lisboa e Benfica
1938/39 – Casa Pia Atlético Clube
1941/42 – Clube União Sportiva, São Miguel (Açores)

COMO TREINADOR E PREPARADOR FÍSICO


1952 – Sport Lisboa e Benfica, Adjunto e Principal, tendo, nesta função, ganho uma Taça de Portugal ao Sporting e logo por 5-4!
1953/54 – Vitória Sport Clube, de Guimarães.
1954/55 – Lusitano Ginásio Clube
1954/56 – Federação Portuguesa de Futebol
1956 – Sport Clube União Torriense
1957/58 – Grupo Desportivo da Companhia União Fabril.
Treinou ainda o Marrazes Sport Club (Distrito Leiria).Também colaborou com o jornal “Diário Popular” na época 1947/48. Equipa que conquistou o troféu Futebol Clube do Porto. Mais recentemente a Câmara Municipal do Seixal, ao dar o devido destaque a um dos seus mais lídimos filhos quis que o seu nome ficasse perpetuado na Cidade atribuindo-lhe um arruamento na zona nova e nobre, bem perto do Centro de Estágio do Sport Lisboa e Benfica! Pena foi que o Estado português nunca o tenha distinguido, como merecia, face à sua longa e brilhante carreira desportiva. Coisas… Vencedores da Taça de Portugal




Vitória Sport Club




TED SMITH




Ted Smith, embora sem muita documentação sobre o mesmo, recordamos que foi pela sua mão, que o Benfica ganhou a Taça Latina, por ventura a maior prova europeia daquele tempo, no longínquo ano de 1948. Cavalheiro de  fino trato e duma simplicidade a toda a prova, Ted só tinha o pecado, em nossa opinião, de nunca ter dominado a língua portuguesa, falando sempre a língua de Camões um pouco intercalada com a de Shakespeare, o que dava uma miscelânea interessante e até divertida, que nos permitia a todos que com ele privavam, uma forma de respeitosa e sincera amizade.
Nascido em Grays , no Essex County, a sua carreira no futebol começou no Millwall FC , ​​em 1935, já que os leões estavam na Terceira Divisão . Ele fez parte da equipa que eliminou (2-0) o Manchester City nos quartos de final do 1936-37 FA Cup , em 6 de Março de 1937, que viria a ser conhecido como um dos históricos gigante assassinatos na FA Cup. na próxima temporada, Smith ajudou o clube a ser promovido à segunda divisão , jogando apenas uma temporada antes da interrupção Guerra. Ele competiu por mais três anos, retirando-se em 1948 com 33 anos.
Começou imediatamente uma carreira de treinador, chegando ao Benfica em 1948. O clube tinha tido o último título da liga  em 1944-45 , e o Sporting CP tinha o período de maior sucesso da sua história, vencendo sete das oito campeonatos disputados entre a temporada 1946-47 e a temporada 1953-54, perdendo apenas na temporada 1949-50 para o Benfica de Smith. Esta foi a era dos “Cinco Violinos”
A somar ao título da liga , Smith conquista a Taça Latina , a antecessora da UEFA Champions League , disputada pelos europeus latinos,  França , Itália , Espanha e Portugal , num torneio organizado no final da temporada, derrotando Bordeaux no Estádio Nacional , em 18 de junho de 1950.
Depois de ganhar a sua segunda Taça de Portugal no seu terceiro ano no comando, o seu quarto ano foi mais irregular. Em dezembro, Smith, renunciou por problemas pessoais, mudou de idéias em março e voltou, mas apenas por um mês, deixando novamente em Abril.

Depois do Benfica, Smith treinou o Workington AFC por uma temporada, e teve uma curta passagem pelo Atlético no início de 1970.



Sven-Goran Eriksson






Sven-Goran Eriksson é o homem que em 1977, tinha 29 anos, chegou a um clube da III Divisão sueca e decidiu contratar um psicólogo para ajudar a ultrapassar o bloqueio mental da equipa nos momentos decisivos. É o homem que marcou uma era no futebol português no início dos anos 80 e voltou no final da década para aquele que chama um «futebol mais sujo, mais corrupto». É o homem que conta histórias sem fim de futebol, (tantas cruzadas com Portugal) no mesmo tom frio em que fala das mulheres que traiu, do dinheiro que ganhou e perdeu, de corrupção e de doping, dos muitos escândalos e negócios escuros em que se envolveu. É o homem que se expõe assim numa biografia de 350 páginas de relatos crus, sem rodeios e sem floreados. E que, a começar e depois a acabar, tenta explicar por que motivo, depois de já ter estado lá em cima, não consegue parar, apesar de a sua carreira se ter tornado há muito irrelevante. Aos 65 anos, Eriksson escreveu um livro, entre um cargo de diretor de um clube no Dubai e uma nova aventura, que ainda dura, na China.

«Sven, a minha história», é uma narrativa de vida na primeira pessoa. Desde que nasceu, em 1948, filho de uma mãe solteira que o criou sozinha durante dois anos até o pai adolescente ganhar coragem para dizer à família que eles existiam. Passando pela infância no centro da Suécia, onde Eriksson justifica aquele que é um dos principais traços da sua personalidade: «Em Varmland não falamos muito de nós próprios. Somos educados, mas raramente revelamos as nossas verdadeiras emoções. Um traço de caráter que me ajudou na minha vida profissional.»

Eriksson relata uma adolescência despreocupada, num meio de classe média baixa. De um jovem que não fazia grandes planos de vida, a não ser dizer um dia, já com uns copos a mais, que «iria ser famoso». Um rapaz que começou por trabalhar numa companhia de seguros, antes de decidir que queria estudar desporto na universidade. E que sempre teve, diz ele, «sucesso com as raparigas».

Um sistema novo conhecido como 4x4x2

Eriksson teve a primeira oportunidade como treinador no Degerfors pela mão de Tord Grip, que viria mais tarde a ser o seu número dois, ora como ajdunto ora como scout, em muitos dos clubes e seleções que treinou. No livro relata a luta para implantar no Degerfors «um sistema novo conhecido como 4x4x2», no qual lhe agradava a ideia de «tudo ser assente em organização e lógica coletiva»: «Era uma revolução contra o individualismo.»

Subiu com o Degerfors à II Divisão e deu nas vistas. Em janeiro de 1979 já estava no IFK Gotemburgo. Quis saber mais sobre o futebol inglês e o 4x4x2 e visitou Bobby Robson no Ipswich. Conta como se espantou quando Robson lhe disse para se sentar ao lado dele no banco no jogo seguinte.

Prosseguiu em Gotemburgo a sua batalha pela organização tática. «Pressionar e cobrir eram termos gregos para os jogadores. O facto de eu usar bola em 95 por cento do treino talvez fosse uma surpresa positiva para eles, mas devem ter ficado chocados com a forma como os exercícios eram rigorosos. »

Alguns quiseram fazer dessa batalha tática uma batalha ideológica. Num clube com raízes políticas fortes na esquerda, houve quem visse paralelismos entre a organização baseada no coletivismo de Eriksson e a social-democracia sueca de Olof Palme. Mas Eriksson não se compromete: «Não havia ideologia política por trás da minha filosofia de futebol. Queria construir a melhor equipa possível. Se jogássemos como equipa – um por todos e todos por um – conseguíamos melhores resultados. Não era mais complicado que isso.»

Eriksson começou noutro tempo e noutro futebol. Mais esta consideração tática, não isenta de ironia: «Durante a época de 1980 fiz a grande descoberta de que o futebol também podia ser jogado no meio-campo. Antes olhava para o meio-campo como uma peça na engrenagem defensiva.»

Benfica, a primeira passagem

Na última época em Gotemburgo, 1981/82, Eriksson ganhou tudo: campeonato, Taça e Taça UEFA. E então apareceu o Benfica. Ele diz que aceitou de imediato e relata a chegada a Lisboa, com centenas de pessoas no aeroporto. «Pensei que estavam ali à espera de um primeiro-ministro ou outro alto-dignitário, mas estavam à minha espera.» Depois, conta como foi conduzido direto à sala de troféus da Luz: «Estava a abarrotar de taças. Nunca tinha visto nada tão impressionante. Foi quando percebi o que esperavam de mim no Benfica. Calculo que tenha sido essa a razão por que me mostraram aquela sala.»

Depois, recorda como Fernando Martins teve dificuldades em impor o seu nome num «clube muito conservador» como o Benfica, e como foi ganhar para a Luz «quatro ou cinco vezes mais» do que ganhava na Suécia. Conta como ficou «chocado» quando chegou ao treino e percebeu que a equipa tinha 45 jogadores. Fala de um clube que tinha «estagnado» e que precisava de uma «revolução», e explica como escolheu Toni para adjunto porque sentiu logo empatia com o antigo jogador.

As recordações misturam a paixão da família por Portugal e os grandes jogos europeus. A final da Taça UEFA perdida para o Anderlecht em 1983 - «a minha primeira grande derrota» - e a eliminação com o Liverpool na Taça dos Campeões na época seguinte, quando começou a pensar se «teria chegado ao limite com o Benfica».

A paixão italiana

E então apareceu a Roma. Eriksson assume que tinha há muito uma paixão pelo futebol italiano, então «a maior Liga do mundo». E não desperdiçou a oportunidade de treinar o campeão italiano, apesar de se ter «sentido mal por trair Fernando Martins, os jogadores e os adeptos» do Benfica.

Foram 17 anos de futebol italiano, interrompidos pelo regresso à Luz entre 1989 e 1992. A Roma é um relato de tempos difíceis, uma primeira época de pesadelo, num tempo em que os treinadores estrangeiros nem podiam sentar-se no banco na Serie A. O período italiano é também um relato na primeira pessoa do mundo obscuro do calcio. Conta Eriksson que perguntou ao filho do dono da Roma se o clube tinha mesmo subornado, como se insinuava, o árbitro Michel Vautrout na meia-final da Taça dos Campeões de 1984. «O Riccardo acenou devagar. Infelizmente era verdade.»

Anos mais tarde, na Fiorentina, outra história. Uma conversa com o diretor desportivo viola, Nardino Previdi: «Foi falar comigo sobre o jogo que íamos ter. Será um jogo duro, disse. Talvez um empate seja suficiente. Sim, disse. Um empate seria suficiente, mas uma vitória seria melhor. Previdi olhou para mim. Depois disse: ‘Se ficarmos satisfeitos com o empate, talvez se possa arranjar.’ De repente percebi onde ele queria chegar e abanei a cabeça. ‘Não, não, não.’»

Foi na Fiorentina que encontrou aquele que diz ser o melhor jogador que já treinou. «Nunca tinha treinado, e possivelmente não voltarei a treinar, um talento como Roberto Baggio.» E foi lá que teve como adversário Diego Maradona. Um Nápoles-Fiorentina desse tempo pelos olhos de Eriksson: «O Maradona fez de nós o que quis. A certa altura o nosso lateral-esquerdo, Stefano Carobbi, correu para o banco e disse: ‘Que raio quer que eu faça com o Maradona?’ ‘Não sei’, gritei. ‘Dá-lhe um pontapé na perna’.»

Benfica, a segunda vez

A Fiorentina era pequena de mais para ambição de Eriksson e por isso, quando voltou a aparecer o Benfica, com a Taça dos Campeões como meta, ele voltou. Para um futebol diferente, diz. «Durante os cinco anos que tinha estado fora de Portugal, o futebol lá tinha-se tornado mais sujo, mais corrupto. Havia muitos escândalos e havia sempre conversas sobre árbitros. O Porto tinha-se tornado muito mais poderoso.»

O segundo período no Benfica inclui um relato detalhado da visita às Antas no famoso campeonato de 1991 decidido por César Brito, «um jogador periférico de que ninguém voltaria a ouvir falar». «Quando chegámos ao balneário, estava trancado. Pedi aos seguranças para o abrirem, mas eles ignoraram-me por completo. Pinto da Costa, o presidente do FC Porto e o homem mais poderoso do futebol português na altura, apareceu, a dizer que de acordo com as regras, o balneário dos visitantes só tinha que estar disponível uma hora antes do jogo. ‘Respeito muito o senhor Eriksson como pessoa’, disse. ‘Mas guerra é guerra.’»

«Quando o balneário foi finalmente aberto», continua o livro, «descobrimos que tinha sido pulverizado com um químico qualquer que tornava impossível respirar. Os nossos jogadores tiveram que se equipar no átrio, cá fora. Perguntei a um funcionário do Porto se podíamos pelo menos ter acesso ao relvado, mas as ordens de Da Costa eram que a equipa visitante só podia subir ao relvado meia hora antes do pontapé de saía. Quando subimos para o campo, o relvado estava tão molhado que dificilmente conseguíamos fazer um passe, e as linhas tinham sido redesenhadas para tornar o campo mais pequeno. O nosso banco tinha sido colocado quase em linha com a área de penálti, e preso de forma que era impossível movê-lo.»

Veio a terceira época no Benfica, que «foi um pesadelo». Eriksson diz que foi Gaspar Ramos quem o convenceu a ficar mais essa temporada, o que «foi um erro». Conta como conheceu nessa altura Pini Zahavi, até hoje um dos empresários com mais peso no futebol mundial e com quem manteve relações desde então, e lhe comprou Yuran e Kulkov. «Tínhamos dois jovens médios, Rui Costa e Paulo Sousa, que se estreavam na primeira equipa, mas éramos fracos na frente e não sei como consegui montar uma defesa. Os reforços russos nunca se adaptaram.» Yuran «gostava da boa vida, mas não estava habituado ao dinheiro; não confiava no banco e guardava o dinheiro no colchão».

«Il perdente di successo»

Eriksson queria voltar a Itália apesar de, diz, poder ter ido para o Bayern Munique. Apareceu a Sampdoria e não olhou para trás. Foram cinco anos no clube de Génova, duas Taças ganhas e uma meia-final da Taça das Taças. Onde eliminou o FC Porto, nos quartos de final. «Perdemos a primeira mão em casa, 1-0. Na segunda mão fui ter com Pinto da Costa e lembrei-o do jogo pelo Benfica uns anos antes. Ele limitou-se a rir. Desta vez fui o último a rir.»

Foi na Sampdoria que começou a ganhar a alcunha que o perseguiu desde então. «Il perdente di successo», o perdedor com glamour. Seguiu-se a Lazio e, apesar de ter ganho duas Taças de Itália e a Supertaça no clube romano, só contrariou de facto aquela imagem ao fim de quatro anos, quando conquistou finalmente o «scudetto». Uma vitória no meio da nebulosa que era o futebol italiano. A Lazio lutou pelo título com a Juventus e Eriksson relata o episódio famoso em que o árbitro Massimo De Santis invalidou um golo do Parma à Juventus na penúltima jornada. De Santis viria a ser suspenso anos mais tarde, envolvido no Calciocaos, em 2006.

Inglaterra, o emprego impossível

E depois a vida de Eriksson mudou. Apareceu a seleção de Inglaterra, disse adeus ao futebol de clubes a alto nível e entrou num mundo novo. Era 2001. Foram cinco anos num cargo «impossível», como o definiu o antigo primeiro-ministro Tony Blair numa conversa de aeroporto com Eriksson.

Os anos ingleses são um relato de futebol, mas também da sucessão de casos e de escândalos em que se viu envolvido.

Antes de mais, as dificuldades em construir a equipa. «Em miúdos, os jogadores mais fracos ou iam para a baliza ou para o lado esquerdo. Talvez em Inglaterra funcionasse como em Torsby, porque havia poucos bons jogadores para essas posições. Foram o tendão de Aquiles durante todo o meu tempo como selecionador da Inglaterra.»

O livro tem, claro, o relato dos dois Mundiais e um Europeu, em todos eliminado nos quartos de final. Sempre frente a Scolari, duas vezes frente a Portugal.

Mundial 2002, Ronaldinho «a mentir»

2002, a queda frente ao Brasil, decidida num livre de Ronaldinho. «Ele queria marcar naquele livre ou foi sorte?», atormenta-se Eriksson. «Anos mais fiz-lhe a pergunta em português. ‘Sven, sabes que foi um remate.’ ‘Estás a mentir’; disse-lhe.»

Euro 2004, os penáltis e a relva

Depois 2004. Eriksson aproveita aliás para contar no livro que teve um papel na vitória de Portugal para a organização da prova. Amigo de Lennart Johansson, promoveu uma reunião com o presidente da UEFA e Gilberto Madaíl e garantiu ao compatriota que Portugal estaria à altura do desafio.

2004 para Eriksson terminou na eliminação com Portugal, com Ricardo e os penáltis. Daquele jogo, o golo de Rui Costa visto por Sven. «Iria Rui Costa, que tinha começado a carreira 14 anos antes no Benfica quando eu era treinador, terminar a sua carreira internacional eliminando-me do Europeu?» Antes, o golo de Sol Campbell que não valeu e custou a carreira ao árbitro Urs Meier. Eriksson conta que, perante a campanha de que Meier foi alvo em Inglaterra, ligou ao juiz a pedir-lhe desculpa em nome da seleção. E depois os penáltis, claro, e a falha de Beckham. Eriksson tinha pedido para arranjarem a relva na marca de penálti na Luz na véspera. «Não arranjaram.»

Mundial 2006, o fim

2006, de novo Portugal, os penáltis depois da expulsão de Rooney. «Nunca vi o lance na televisão. Não sei se Rooney foi bem ou mal expulso. Só sabia o que queria dizer quanto às nossas hipóteses no jogo.» A Inglaterra tinha treinado penáltis, uma e outra vez, garante Eriksson. «Mas no treino não era como no jogo a sério. Eu sabia disso.»

A Inglaterra caiu e foi o fim da linha para Eriksson. Ele voltou para a Suécia e remoeu vezes sem conta o que tinha corrido mal. «Devia ter trazido um treinador para preparar mentalmente os jogadores para os penáltis. Por que não o fiz?» Também responde às críticas dos media: «Em cinco anos e meio só perdi três jogos no tempo regulamentar.» Mas sabe que as estatísticas, no fim, pouco interessam. «A margem entre falhanço e sucesso é fina como uma lâmina. No fim só os resultados contam. Sabia-o melhor que ninguém.»

Ferguson e Mourinho

De Inglaterra, Eriksson recorda ainda as batalhas com Ferguson, sempre relutante em ceder jogadores à seleção. Sobre todas a guerra por Rooney, quando o avançado partiu o pé num jogo com o Chelsea a dois meses do Mundial 2006. Ferguson proibiu Eriksson de entrar no balneário no fim do jogo e disse que não podia levar Rooney ao Mundial.

Eriksson relata uma reunião tensa em que o médico da seleção explicou que o jogador podia recuperar, na cara de um furioso Ferguson. Pelo contrário, conta Sven, Mourinho nunca levantou este tipo de problemas. «Gostava de Mourinho. Para fora, ele era vaidoso, mas era um tipo simpático. Ao contrário do Ferguson, nunca me deu problemas com os jogadores dele.»

Do sheik falso a Pyongyang

Eriksson já estava fora da seleção inglesa antes do Mundial. A gota de água tinha sido o escândalo do sheik, quando se deixou apanhar numa armadilha do tablóide «News of the World», a admitir treinar o Aston Villa.

Eriksson tenta explicar como se deixou envolver naquilo. O contacto foi de Athole Still, um empresário com quem trabalhava há muito e que até terá obtido autorização da FA para a viagem. E Eriksson foi. O livro está cheio de histórias em que Eriksson se deixou ir, que ele justifica num misto de boa vontade e ingenuidade. Como anos mais tarde, quando embarcou num obscuro projeto para fazer do Notts County um clube de topo. Era uma aldrabice e Eriksson conta que mais tarde até colaborou com a BBC para um documentário que desmontava a história.

É dessa altura o relato de uma visita surreal à Coreia do Norte. Os responsáveis do Notts County disseram a Eriksson que a presença dele seria útil nessa viagem, que pretendia avançar com «um grande negócio» relacionado com «recursos minerais». E Eriksson foi.

Dessa viagem relata uma conversa com aquele que pensa ser o presidente da Federação da Coreia do Norte, que tinha acabado de se apurar para o Mundial 2010. «Pediu-me para os ajudar a conseguir um sorteio favorável para o Mundial. ‘O que quer dizer?’, perguntei. «Dado que eu conhecia gente na FIFA, não poderia ajudar a assegurar que a Coreia do Norte tinha um grupo fácil?» Eriksson respondeu que era impossível e lá voltou para Inglaterra, não sem ter ficado retido no aeroporto em Pyongyang porque, aparentemente, o tal negócio que os seus sócios britânicos tinham ido fazer não correu assim tão bem.

Em 2010 acabou por voltar a cruzar-se com a Coreia do Norte (e com Portugal, e com o Brasil), quando levou a Costa do Marfim à fase final: «Aparentemente, o plano deles para combinar o sorteio tinha-se virado contra eles.»

Não ao Benfica

Depois de Inglaterra esteve mais de um ano parado. Ainda foi para o Manchester City, de onde o milionário tailandês que tinha comprado o clube o despediu. Contra a vontade, relata Eriksson, dos adeptos e dos jogadores, que chegaram a ameaçar fazer greve. Mas foi por estar preso num jogo do City que não viajou para a Suécia a tempo de se despedir da mãe antes da sua morte. A mãe a quem ligou todos os dias da sua vida.

O City foi o fim de Eriksson no futebol de topo. Em 2008 recusou voltar ao Benfica, depois de um encontro com Rui Costa e Luís Filipe Vieira. Arrependeu-se, como se arrependeu de muitas outras escolhas que fez.

Seguiu-se a seleção do México, o Notts County, quatro meses na Costa do Marfim, o Leicester, depois foi diretor-técnico num clube tailandês e noutro do Dubai. Em junho de 2013 voltou ao banco, para treinar o Guanzhou RF.

O dinheiro e o resto que perdeu

É aí que acaba de escrever o livro. A olhar para trás. Confessa que, relendo o que está escrito, se sente deprimido. «Para onde foram os anos?» Hoje Eriksson está sozinho. A mãe dos seus filhos separou-se dele há muito, quando soube do seu primeiro caso, em Itália. As muitas namoradas passaram. Os dois filhos têm as suas vidas. O mais velho formou-se em desporto e chegou a trabalhar com Sven nos últimos anos.

Perdeu muito do crescimento dos filhos. Um dos momentos mais duros do livro é quando relata como a filha lhe pediu que não fosse à sua formatura, porque não queria que a cerimónia se transformasse num circo de «paparazzi» ingleses. «O preço que paguei pelo meu sucesso foi alto, mas nunca me perguntei se valia a pena.»

Também está sem dinheiro, diz. Dinheiro é um assunto recorrente no livro. Porque Eriksson sabe que tem fama de ser ganancioso, passa o livro a dizer que não, que nunca ligou ao dinheiro. «Não sei o preço de um pacote de leite, mas também não sabia quando era jovem na Suécia.» O livro está no entanto cheio de pormenores sobre o dinheiro que foi ganhando, mas também sobre o que perdeu.

Perdeu muito, diz, com Samir Khan, o seu antigo conselheiro financeiro que acusa de ter gasto quase toda a sua fortuna sem ele saber, qualquer coisa como 10 milhões de libras. Na versão de Eriksson, Khan explorou precisamente o seu desapego ao dinheiro. Está em tribunal contra ele.

Tem mais dois casos em tribunal. Um deles contra Nancy Dell’Olio, antiga namorada com quem viveu anos, de Itália a Inglaterra, por um diferendo sobre partilhas. E o terceiro contra os donos do «Mirror», que Eriksson acusa de ter colocado os seus telefones sob escuta, conseguindo assim divulgar, entre outras coisas, o seu caso com a sueca Ulrika Johnsson, o primeiro grande escândalo de saias de Eriksson em Inglaterra.


Eriksson diz que não tem assim tanto dinheiro e por isso precisa de trabalhar. Acaba de pôr a sua propriedade na Suécia à venda. Mas o motivo por que não para é mais profundo. No início do livro, Sven conta como se encontrou em Itália com Nils Liedholm, lenda do futebol sueco e do calcio, e este, já reformado, acabou a conversa a implorar-lhe que lhe arranjasse um clube para treinar, «nem que fosse uma equipa de juniores». «Se Liedholm, a lenda, não se sentia satisfeito, é possível alguma vez um treinador de futebol ficar satisfeito? Agora sei a resposta.»